Usando um método mais barato, pesquisadores observaram reações iguais às de pessoas saudáveis em 3 pacientes
Três pessoas com danos cerebrais graves consideradas em estado
vegetativo irreversível mostraram sinais de consciência plena quando
testadas com um método mais barato de medir ondas cerebrais.
Especialistas dizem que as descobertas, se puderem ser reproduzidas,
podem mudar as normas de tratamento.
Pesquisadores tinham detectado atividades cerebrais responsivas e
significativas nesse tipo de paciente por meio de ressonância magnética.
Mas o novo estudo, da revista The Lancet, é o primeiro a demonstrar que
sinais claros de conhecimento consciente podem ser detectados por um
aparelho de eletroencefalograma (EEG). Estima-se que 25 mil americanos
com danos cerebrais vivem em estado vegetativo.
"Não se deve introduzir algo assim na prática clínica rotineira até
que testes mais amplos em várias clínicas confirmem seu valor", disse
Joseph Giacino, diretor de neuropsicologia de reabilitação no Hospital
Spaulding. "Mas parece que há não apenas um pouco, mas muita
consciência" em pacientes considerados não responsivos, completou.
Os esforços para estabelecer se um paciente tem consciência são
angustiantes para os parentes. O caso de Terri Schiavo, uma mulher da
Flórida que se tornou não responsiva após uma parada cardíaca e foi
privada de suporte vital em 2005, tornou-se um caso controverso. Médicos
dizem que é improvável que o teste de EEG teria mudado o diagnóstico no
seu caso.
A equipe da pesquisa, chefiada por Damian Cruse e Adrian Owen da
Universidade de Ontário Ocidental, deu instruções simples a 16 pessoas
em estado vegetativo: toda vez que ouvir um bip, imagine-se fechando a
mão direita. Os sujeitos receberam essa tarefa e outra - se ouvir um
bip, mexa os dedos dos pés - e foram submetidos a 200 repetições.
Em pessoas saudáveis que executaram essas instruções, o EEG captou um
padrão claro no córtex pré-motor; o sinal elétrico associado à mão foi
distinto do sinal associado aos dedos do pé. Os cérebros das três
pessoas "vegetativas" tiveram o mesmo resultado. "Isso é cerca de 20% do
grupo de pacientes produzindo respostas idênticas às de voluntários
saudáveis", disse Owen. "Acho que isso é um forte sinal de nossa
incapacidade de diagnosticar corretamente pessoas em estado vegetativo."
(New York Times. TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK) - 11 de novembro de 2011.